Categorias: Sem categoria

A importância do autoconhecimento

Está escrito em muitos lugares. É dito por muitas pessoas, nos quatro cantos do planeta: O autoconhecimento é a chave para uma vida feliz”. E como alcançá-lo? Ah! Não há lugar a chegar, trata-se de reconhecer-se, perceber-se, sentir-se. Caminhada interna, para a “pele de dentro”, sem linha de chegada, sem data para terminar, infindável.

É através do olhar de minucia, das lentes de cada indivíduo, que se faz possível acessar o autoconhecimento, que se refere a reconhecer-se pelo que se verdadeiramente é e não pelo que os outros esperam que cada um seja, ou mesmo por aquilo que cada um acredita que deva ser. Não é dever, é simplesmente ser.

O ser humano é ser em relação, o outro sim, também é parte deste processo de autoconhecimento, porém, o mais valioso é o acesso à sabedoria interna e aos recursos acumulados ao longo de cada jornada. Escolher este caminho é transformador, é através dele que descobertas são feitas. Descobrir-se. Revelar-se, conhecer àquilo que está oculto, negligenciado. Como a metáfora do véu que um a um é retirado, ou como a metáfora da cebola que vai sendo descascada, e para cada camada, uma nova aventura, para cada véu uma novidade. É um caminho recheado de muitas emoções, tanto positivas quanto negativas. O importante é saber lidar com estas emoções, sem intenção de controle, mas de integração, reconhecer, aceitar e dialogar com cada uma delas, mesmo com as mais aversivas.

As escolhas feitas são passos importantes dentro deste caminhar, representam potências em direção às mudanças. Por serem tão importantes, antes das escolhas acontecerem é preciso ficar.

O que quer dizer ficar?

Ficar quer dizer entrar em contato com o que já fora construído, é dar-se conta dos recursos já conquistados através das experiências vividas. É se olhar, se valorizar, se validar.

Te convido a parar por 1 minuto, é um convite para ficar. Preste atenção à sua respiração, ao seu corpo, às suas sensações, pensamentos e emoções, sem esforço, sem tentativa de mudanças, apenas fique, sinta o que está presente agora, perceba o que acontece, neste determinado instante. Se permita ser, sem resistir, faça isso e note a mudança, que chega organicamente, no seu tempo. Fluidez.

Em Gestalt-terapia, existe um conceito denominado Teoria Paradoxal da mudança que diz que a aceitação é o primeiro passo para que qualquer transformação aconteça, com isto, antes do início de um novo ciclo, é de grande valia a prática da permanência e da aceitação, afastando as cobranças e julgamentos, que na maioria das vezes representam obstáculos. Muitas vezes a ansiedade se manifesta com muita intensidade, ao ponto de desestruturar o sujeito, a sugestão é que se converse com ela, mantendo a presença, se conectando com o aqui e o agora, mais ou menos assim:

Sei que você está com pressa, estou alerta, também quero me movimentar, mas vou no meu tempo, com tranquilidade, eu te escuto, te respeito, sei da sua importância na manutenção da espécie humana, na minha sobrevivência, pode ficar aqui ao meu lado, mas não deixarei que você tome conta e guie os meus passos.

A ideia é que um diálogo seja estabelecido da maneira que fizer sentindo para cada pessoa, é pertinente lembrar que a ansiedade não desaparecerá e nem deve, ela é parte importante, nos ajuda em muitos momentos, todavia, ela não pode e não deve ser protagonista.

Muitas pessoas pensam que praticar a presença significa negligenciar o futuro e esquecer do passado. Esta é uma concepção equivocada. É essencial ter propósito, planejamento e objetivos, mas estes devem funcionar enquanto mapas, e não podem ser maiores do que àquilo que se está sendo no agora. Quando a presença e a aceitação são incluídas e praticadas com maior vigor no dia a dia, muitos dos dramas e conflitos se dissolvem, por que as coisas são como são. Não confundamos com acomodação, não se trata de ver a vida passar diante de si e não fazer nada.

Aceitação, entrega, autocompaixão, persistência, paciência e presença são algumas das habilidades que contribuem no processo de autoconhecimento e existem muitas maneiras de exercitá-las, como: meditação, prática de esportes, yoga, mindfulness, terapia, contato com a natureza, arte, dança, etc.

Este caminho é um caminho sem volta, com muitas paradas, com alguns retornos, lindas surpresas, gostos e desgostos, encontros e desencontros, curiosidade… Caminho de mistérios, que por vezes são desvendados e por vezes não, porém, a cada dia vivido com atenção plena, conscientes da totalidade corpo, mente e espírito, vai ficando mais claro (para mim) que viemos para este mundo para nos revelar e acessarmos a nossa paz interior, mesmo vivendo tempos difíceis, ainda é possível este acesso e não está longe, está dentro de cada um de nós, repousando naquilo que escolhemos nutrir nos nossos corações.