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Atendimento em equipe x identidade do terapeuta x Adoecimento

Chama minha atenção  esse assunto, pois ao longo de minha caminhada profissional, fico me perguntando, como fui me construindo como profissional da área Psi , acredito que o trabalho em equipe, as trocas que fiz e faço com colegas, outros profissionais, tem contribuído imensamente para isso.

Estamos cada vez mais envolvidos com movimentos corporativos, o avanço tecnológico, a necessidade das organizações de atingir um público maior, com resultados  rápidos, tudo  muito urgente, mas nem sempre eficaz, o que acabou criando um distanciamento afetivo, as trocas são feitas mais no virtual do que no real. As relações humanas  ficaram comprometidas.

Apesar disso, as pessoas estão se dando conta, com passos muito lentos,  que é necessário ampliar suas fronteiras de contato, tomar consciência de que não é possível realizar isoladamente grandes projetos, sem que as trocas aconteçam. No momento em que nos propomos a partilhar nosso conhecimento, nossa  experiência de vida, nossas metas, estaremos no caminho para refletir e  discutir sobre as  várias  possibilidades desse trabalho. Um bom trabalho em equipe pressupõe cuidados específicos, com valores  sólidos e  éticos,  postura dos profissionais, comunicação, amadurecimento  e ampliação da escuta , diferentes  formas de pensar e agir pode complementar, qualificar  aquilo que fazemos.

Por tudo o que foi dito, entendemos que o trabalho em equipe é amplo e, pode acontecer fora das instituições, fazendo um paralelo com as questões do adoecimento, entendo que ao acompanharmos um paciente em tratamento ou recuperação de uma doença grave, podemos  compartilhar nossas experiências e saberes com outros profissionais que também atendem este  mesmo paciente, ou seja, o psicólogo pode conversar com médico, enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista, entre outros. Já imaginaram o quanto essas trocas podem ser benéficas para o paciente e  familiares, bem como para os profissionais??

Finalizando, entendo que nossa identidade como profissional se constitui e se constrói a partir das trocas que fazemos ao longo de nossa caminhada profissional, que  nossas vivências, experiências pessoais, colaboram para nosso crescimento e para a realização de um bom trabalho com quem nos procura. As contemplações dos fenômenos, podem levar à um ajustamento criativo e uma  ampliação das fronteiras de contato.

Lucia Paulino