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Terapia: uma oportunidade de ocupar o seu próprio lugar no mundo

Por vezes o mundo é um lugar pouco acolhedor para quem tem dificuldade de ocupar seu próprio lugar, ser do seu próprio tamanho. Tantas pessoas não conseguem encontrar espaço em seus ambientes e relações para serem como são e, como reação, se afastam ou se apequenam para caber.

Alguém que tem vergonha de mostrar seu jeito espontâneo e cria uma persona mais “gostável” para o mundo que ele considera hostil pode encontrar na terapia um local para se expressar como é, na sua língua, seus trejeitos.

O tímido que se fecha na presença de pessoas expansivas, que podem ser entendidas como intimidadoras para ele, pode ter na relação terapêutica um lugar onde não precisa competir com outras vozes, em que sua própria voz ganha volume e é escutada. Tendo a experiência da aceitação e validação na terapia, ele pode levar para o mundo uma nova forma de se relacionar mantendo sua autenticidade, porém reivindicando o microfone quando necessário.

Esses são apenas alguns exemplos do potencial da relação terapêutica. Há relações que adoecem e relações que curam. É incrivelmente transformador encontrar na terapia um local para ser quem se é e poder se expandir, se amplificar, se esparramar. Um local de acolhimento, livre de julgamentos. Tanto se fala em mudar, mas é importante se atentar para a importância de, antes de tudo, se permitir ser quem se é plenamente, principalmente quando esta experiência é tão rara na vida do cliente.

Como disse Carl Rogers: “As pessoas são tão maravilhosas quanto o pôr-do-sol, se as deixar ser. Quando olho para um pôr-do-sol, não digo ‘suavize o laranja um pouco no canto direito’. Não tento controlar um pôr-do-sol. Eu assisto com admiração enquanto se revela.” O terapeuta recebe seu cliente com respeito, fascínio e o aceita como é, acompanhando seu desenvolvimento lado a lado na jornada da terapia, respeitando a unicidade de seu processo e dando amparo para o sofrimento.

Camila Saraiva